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segunda-feira, 10 de março de 2008
PESSOAS COM LASTRO de Lisélia de Abreu Marques
Pessoas com lastro pesam a medida exata para não afundar nem virar;
Pessoas com lastros são firmes e seguras ao mesmo tempo em que
são flexíveis e leves para navegar sem lutar contra o mar.
Pessoas com lastro são o que são, são como são e assim que é.
Pessoas com lastro se encontram e em silencio dizem tudo;
Pessoas com lastro lêem a vida, as pessoas, seus próprios corações;
Pessoas com lastro não precisam de outdoors;
Pessoas com lastro amam a verdade;
Pessoas com lastro amam de verdade.
quarta-feira, 5 de março de 2008
COMO O SOL E A LUA de Lisélia de Abreu Marques
Você é o carnaval, brilhante colorido e cheio de ritmo.
Eu sou a vastidão branca do ártico.
Sou os ventos frios e a paisagem árida.
Eu sou o som dos ventos gelados desenhando o gelo.
Sou o respirar dos ursos polares.
Sou a beleza inigmatica da aurora boreal.
Você é o vermelho dourado do sol,
eu, a palidez iluminada da lua.
Me toque com cuidado,
pois sua luz e calor podem derreter minha delicada camada de neve.
Meu manto é frágil, minha alma dorme.
Venha com passos leves e silenciosos para não me acordar.
Pois quero despertar com um beijo suave em minha face,
vendo um sorriso de manhã em seus lábios.
Não grite, não faça barulho.
Meu silencio é profundo. Estou muito longe.
Venha em silencio e quando eu puder, irei contigo.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
FAZENDO POESIA de Lisélia de Abreu Marques
MERGULHAR NAS ÁGUAS DE UM POEMA
Mergulhar nas águas de um poema é mais do que uma benção,
é poder viajar sem estradas e sem horários
pelo mundo do imaginário,
é viver sem medo do anoitecer,
brincando, livremente, com as fadas da imaginação.
É se distanciar para sonhar e encontrar a realidade,
pois toda poesia leva o poeta a viajar por dentro de si mesmo
na ânsia de encontrar o caminho de libertar a própria expressão e,
quando, enfim, encontra este seu caminho, já leve, liberto,
ele desliza pelo verbo e
descansa magicamente
na palavra.
DIAS DE SOL E DIAS DE CHUVA
Não espere me encontrar todo dia igual.
Tenho dias de sol e dias de chuva.
Quando os dias são de sol, sou radiante, segura, perfumada e feliz.
Piso confiante a terra que me acolhe e
rio o riso aquecido de otimismo.
Já nos dias de chuva, choro.
Choro lágrimas de solidão;
Choro com o coração apertado
pela pequenês do alcance da minha imaginação.
Não espere me encontrar todo dia igual,
pois há dias de sol e dias de chuva.
E, muitas vezes, são estas lágrimas
que regam as raízes do girassol que brota em minh'alma.
O TAMANHO
Crescer, crescer até chegar ao céu
e de lá olhar e se sentir só, só entre tantos
e querer se sentir pequeno para de novo ter colo e carinho e
alguém para dizer que nos ama
quando nos sentimos frágeis e sensíveis.
E no sonho de ser grande não achar a essência e
na pequenêz não achar a força;
então pedir, primeiro baixinho, depois com os olhos,
tentar dizer com o coração
e ter esperança de que alguém vai ouvir e ajudar
a não ser tão grande que se perca,
nem tão pequeno que não se firme,
a achar a medida exata
para ser apenas
gente...
HOMENS LATINOS
Rostos agonizantes
Histórias sofridas
De povos outrora vibrantes
Agora oprimidos
Agitam bandeiras
Soam hinos
São homens latinos
SE
O te querer e o não te querer me tomam de assalto
cada vez que te vejo passar todo faceiro
a me sorrir aquele riso gostoso
e aí eu finjo muito mal fingido que não me importo e
que quando olho pro teu lado não é você que quero ver.
Mas, é impossível ignorar este moço bonito que passa e me perturba
e simplesmente fazer de conta que não toca, que não mexe.
Numa última tentativa para disfarçar, volto ao meu caderno
e escrevo palavras que não consigo entender,
pois minha mente vaga longe imaginando como seria se o
"se" não fosse apenas uma conjunção condicional
e de repente se tornasse realidade tudo o que se imagina:
se você me notasse ...
se você me quisesse ...
se você se entregasse ...
se ...
se ...
se ...
NAVEGADOR ERRANTE
Tua alma errante, sem lar e sem destino,
por momentos aporta, quase sem querer, no cais do meu carinho.
Sem âncoras, sequer baixas as velas onde sopram, sempre,
os ventos de outros portos e
o perfume de outras mulheres.
Onde o mistério das possibilidades sopra a te chamar infinitamente.
Neste cais tua alma encontra a minha,
conheço teu cheiro e sabes meu nome.
Em silêncio, tocas onde os meus segredos dormem,
e me tens vagando, entregue, de olhos fechados
tendo por recompensa, o prazer de te ter por apenas um momento,
talvez infinito, talvez saudade, o momento
eternizado
no exato instante
em que te amei.
O ENCONTRO
O destino se encarregou de colocar-me ao teu lado,
o amor me deixou com vontade de nunca mais sair daqui.
QUAL QUER?
-" Qualquer dia te ligo." ele disse.
E eu resmunguei:
Qualquer dia te ligo,
Qualquer dia te vejo;
Qualquer dia te amo...
Qual quer?
Qualquer dia?
Qualquer coisa?
Qualquer vida?
Eu não!
DESCALÇA
Descalça, na areia da praia, marquei meu caminho.
Rumava ao sol,
Deixava o solitário ninho.
No caminho do riso me lancei,
Lembrei teu sorriso e chorei.
Vou só,
trilhando caminho que não trilhei,
espalhando o bem que não espalhei,
tentando esquecer este amor
e o homem a quem amei.
LEMBRANÇAS PERDIDAS
Você é como as lembranças perdidas,
um dia disse adeus e a elas se juntou.
HOJE EU QUERIA SER EU
Hoje eu queria ser mais alta, ter pernas longas,
bem torneadas e bronzeadas.
Queria ter um cabelo castanho
longo o suficiente pra chegar na última costela, que brilhasse e
se mexesse como os cabelos dos comerciais de shampoo.
Queria ter lábios grossos e olhos amendoados e misteriosos.
Queria usar um vestidinho preto curto e esvoaçante com alcinhas,
uma sandália alta e ser toda perfeita, numa morenês irresistível.
Hoje queria me sentir outra.
Esquecer quem sou e me sentir livre,
mais leve, mais jovem, sem me vigiar, ordenar ou cobrar.
Hoje queria ser diferente. Queria acreditar na magia.
Me embriagar de sonhos e viver cada fantasia
como se fosse a mais perfeita realidade.
Hoje eu queria ser eu.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
O ROMANCE DO TATU (em mensagens de celular) de Lisélia de Abreu Marques
Cadê tu Tatu?
O Tatu não tá aqui
Aqui ninguém viu,
O Tatu sumiu.
O Tatu não sumiu
Tatu tá no mato
Para cá e para lá,
O Tatu topava no ato
Tá no lago Paranoá.
Mas o Tatu não tá,
Eu só posso lamentá,
Sei que Tatu vai voltá
Será que vai ligá?
Tatu é safado,
Diz que tá no mato ocupado
E desde que se foi
Não ligô nem pra dizê oi.
Tatu sente falta
E quer com ela falar
Tatu promete que, sem falta,
De noite vai ligar.
Tatu não é safado,
Ligou conforme o combinado,
Ligou uma, ligou duas, ligou três.
Será que mudou de vez?
Tatu foi com os amigos conversar
E começou a bebericar,
Aí tatu ficou doidão
E não conseguiu chegar ao orelhão.
Tatua já devia imaginar
Que ao Tatu não se pode elogiar.
Ligou uma, ligou duas, ligou três,
Mas não mudou de vez.
Tatu não está doidão
A ponto de não chegar ao orelhão,
Tatu está bem ativo,
Fez até verso criativo!
Tatu ligou uma , ligou duas , ligou três,
Mas não pegou hábito de vez
Diz que faz e acontece,
Mas não é o que parece:
-Te ligo amanhã,
Disse Tatu todo assertivo,
Mas não ligou,
Só enviou verso criativo.
Senti sua falta,
Assumo em voz alta,
Mas durma com Deus,
Deixo aqui meu adeus.
Adeus Tatu.
Brasília, 06 de dezembro de 2007.
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